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Caminhar Sempre

Não por soberba ou presunção, mas a partir apenas daquilo que vai no coração e nos esforços de compreensão sobre o estar no mundo, entendo que o tempo nunca é uma sucessão de etapas, mas um contínuo e processual conjunto de experiências individuais e coletivas que se somam, dividem, multiplicam e subtraem. Algumas das minhas experiências estão inseridas num quadro maior de lutas coletivas, no qual se inscrevem também muitos outros atores, amigos e colegas de profissão.

No início do segundo semestre de 2017 terminei um ciclo, com minha aposentadoria por tempo de contribuição, sem, contudo, deixar de atuar como docente. Esta condição possibilitou o ingresso no programa de pós-doutorado em educação da Unicamp, com dedicação exclusiva em atividades de pesquisa e docência do grupo de pesquisa PAIDEIA. Neste período inicial foram várias ações muito importantes e agradáveis, como a apresentação de uma conferência, a participação em bancas, a produção de um artigo, a produção inicial de mais um livro, a produção parcial de um capítulo de livro em curso, aulas ministradas em substituição ao meu supervisor, professor César Nunes, no curso de Pedagogia e na pós-graduação da faculdade de educação, além de palestras e debates importantes.

Após um período muito rico, quando estive à frente da Secretaria de Educação de Jundiaí, assumindo posições e me colocando junto a um coletivo de gestão diversificado e engajado na defesa de um projeto de educação, vejo-me agora novamente na pesquisa acadêmica, com a pretensão de aprofundar minhas leituras sobre as questões da educação e sobre os dilemas políticos da atualidade. Não consigo definir o conjunto de retrocessos que tem afetado a vida social brasileira como um conservadorismo. Imagino apenas que as sementes da crítica se dispersaram, mas em um momento próximo se reunirão pela força dos ventos e germinarão. Porque o fluxo da história é dialético e contraditório.

Reencontrei amigos antigos, reforcei laços de amizade e consideração, imaginei novos projetos e possibilidades de atuação. Dentre muitos prazeres, minhas crônicas semanais no Programa Panorama 730, da Rádio Cidade de Jundiaí, apresentado pelo comunicador Heraldo Aguiar. Há sempre um recado que pode ser dado, uma oferta de opinião, uma lembrança temática.

Chego ao final de 2017 com a pretensão de avançar na caminhada, olhando no horizonte de possibilidades as muitas chances de aprimoramento pessoal, humano, profissional. E olho para a caminhada, o percurso histórico rico e pleno, desde as iniciais lutas da Pastoral da Juventude, passando pelo movimento sindical, pelo movimento musical, pela vida política e profissional. Minhas fontes de inspiração são gigantes, nos ombros de quem me apoiei para ver ao longe, como diz meu mestre César Nunes. Entre eles, alguns muito próximos do coração. Paulo Freire, claro, pelas demandas da educação. Paulo André Labrosse pelas lutas sociais cristãs. E na vida prática, de trabalho, mas como inspirações intelectuais mais concretas, César Nunes e muitos dos meus professores.

Sou grato a todos com quem convivi neste período e desejo sinceramente que avancemos juntos, cada um lutando na sua trincheira, em favor da reconquista de direitos perdidos, contra a onda de retrocessos que nos acomete e em função de um horizonte emancipatório pleno e possível e em favor de um mundo humanizado e justo.

Sobre José Renato Polli

José Renato Polli. Doutor em Filosofia da Educação (FEUSP) e professor universitário

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