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Memorial

Tudo começou por volta de 1h30 do dia 02 de Junho de 1962, no Hospital São Vicente de Paula. Uma história por construir, uma vida em processo. Meus pais moravam nos fundos da casa de meus avós maternos, Achiles Spina e Rosa Cassiano Spina, na rua Fortunato Mori, no bairro do Vianelo. Era um casarão antigo, que já não existe mais, com piso de assoalho brilhando e cristaleira transparente na ampla sala de estar.

Dali saímos para morar numa pequena casinha que meu pai construíra no bairro da Ponte São João, onde ficamos até que eu completasse 4 anos de idade. As dificuldades batiam à nossa porta. Voltamos para o Vianelo e lá ficamos até 1970. Fiz minha primeira série primária no Sesi da Vigorelli. A minha professora se chamava Maria Aparecida. Mudamo-nos novamente, no mesmo ano, agora para uma residência definitiva, que meu pai, com muito custo, conseguiu construir com financiamento do BNH. E ali no Jardim Rio Branco vivi a minha vida quase toda.

Na escola Cecília Rollemberg cursei todo o Ensino Fundamental. Na época do Ginásio, da quinta até a oitava série, o nome da escola era Ginásio Estadual Professor Adoniro Ladeira. Minhas professoras do primário foram Zilda Savoy e Marinês Silva. No Adoniro Ladeira tive aula com lendas vivas do magistério jundiaiense, como Luiz Biela de Souza, Fernanda Milani, Elvio Santiago, Sérgio Zavan, Ariovaldo Zanirato, Adalgiza Barreto, Marília Buzzo, José Pereira e tantos outros professores e professoras que muito me influenciaram na vida.

Feliz, vivi minha infância e juventude entre amigos maravilhosos. Curtia os domingos no Centro Esportivo Pedro Raimundo. Aquilo fervia de gente. Tive a oportunidade de treinar futebol de campo com ninguém menos que Dalmo Gaspar. Tinha uma molecada enorme boa de bola no bairro.

A igreja foi outro espaço importante. Na Paróquia Santa Teresinha fiz grandes amizades, que duram até hoje, quando participei ativamente da comunidade de jovens. Mas a vida de trabalho também começou cedo. Aos doze anos ajudava meu pai nos serviços de pedreiro e pintura. Aos 13 ajudava meu tio Adão Spina no balcão da sua loja, nos finais de ano. Aos 14 anos consegui emprego no Escritório de Contabilidade Rosário, de propriedade do saudoso Arnaldo Levada e seus sócios. Depois, ganhei boas oportunidades para um adolescente, trabalhando em vários bancos até meus 23 anos de idade, quando decidi ingressar no Seminário Diocesano de Jundiaí.

O seminário foi uma experiência fundamental. Minha atuação na Pastoral da Juventude levou-me a abraçar a causa do sacerdócio. No entanto, a tomada de conhecimento sobre outras leituras sobre o religioso, especialmente por conta da aproximação com a linha libertadora do cristianismo, levou-me a optar por outras vias.

Decidi fazer Filosofia por conta e voltei a trabalhar num banco. Alguns meses depois consegui emprego, através da ajuda de um amigo, numa empresa metalúrgica e, através desta oportunidade, pude bancar com folga meus estudos em Filosofia. Desta empresa sai para ser professor, ingressando no mestrado em Filosofia e lecionando na rede estadual de ensino na mesma ocasião.

Não posso deixar de mencionar uma experiência de mais de 15 anos como músico e compositor, quando participei de inúmeros festivais de MPB, shows e apresentações ao lado dos meus amigos Ednilson Graciolli, João Aguiar e Fernando Floriano.

De lá pra cá são quase 30 anos de vida acadêmica, duas graduações, quase dois mestrados e um doutorado. São 14 livros publicados, quase 500 artigos em jornais, umas duas dezenas em revistas. Dezenas de entrevistas para rádio e TV e trabalho, muito trabalho, lecionando no Ensino Superior, participando da gestão de uma escola de educação básica e feliz pelas oportunidades únicas que tive. Sorte, muita sorte para um filho de pedreiro. Mas, sorte também pela decência de meus pais, pela beleza da experiência familiar que tive com meus irmãos, os bons amigos, os bons relacionamentos e as tristezas, elas também, importantíssimas para essa construção em processo. Inacabado. É o que sou.

Haveria muito mais, mas acho que o resumo da ópera é esse.

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